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José Raul Teixeira


Expositor Espírita

Há mediunidade mais importante que outras? Médiuns mais fortes que outros?

Raul – Verdadeiramente não pode haver mediunidade mais importante que outras, nem médiuns mais fortes do que outros. Existem Médiuns e mediunidades. Segundo Paulo de Tarso, existe os "dons" e ele se refere à visão, à audição, à cura, à palavra, ao ensino, mas disse que um só é o Senhor. Ela provém da mesma fonte, os indivíduos que psicografam, que psicofonizam, que materializam, poderão todos realizar um trabalho apostolar na realidade em que se encontram.

Não é o número de possibilidades que dá importância ao médium. O que engrandece espiritualmente o médium é aquilo que ele faz com os dons que possua. Verificamos que a importância do médium é aquilo que ele faz com os dons que possua. Verificamos que a importância do médium se localiza na honra que lê tem de poder servir.

O médium mais forte que outro, na Doutrina Espírita, não existe, mas sim, existem os que são mais dedicados que outros, mais afervorados que outros, que estão renunciando à terapia e efetuando o esforço do auto-aprimoramento mais que outros. Isso ocorre.

E é esse esforço para algo mais alto que confere galardão ao médium ou a outro qualquer servidor melhores condições de estar à frente na lide. Mas isso não significa que o que venha na retaguarda não poderá alcança-lo, realizando os mesmos esforços.

Conversando, oportunamente, com um grupo de amigos, o nosso venerável Chico Xavier dizia para os companheiros que o questionavam, que o dia em que não chora, não viveu. Isto porque, depreendemos, quanto mais se alteia a mediunidade, colocando aquele que dela é portador numa posição de destaque, numa posição de claridade, naturalmente, os que não desejam a luz atirarão pedras à lâmpada, tentando quebrá-la, quando não desejam derrubar o poste que a sustenta.

Daí, o médium mais importante ser aquele mais disposto essas lutas em nome do Cristo, médium de Deus por excelência, e mais importante Senhor da Mediunidade que nós conhecemos.

Não caberá nenhum desânimo a nenhum de nós outros que ainda nos localizemos numa faixa singela de mediunidade, galgando os primeiros passos. Isto porque já ouvimos companheiros que gostariam de receber mensagens como o Chico recebe, desejariam receber obras daquele talante, desejariam ser médiuns da envergadura desse ou daquele companheiro que se projeta na sociedade, mas desconhecem a cota de sacrifícios diários, de lutas, de lágrimas, de renúncias a que eles têm de se predispor e se dispor. Por isso, em Espiritismo, não há médiuns superiores a outros, nem mediunidades mais importantes que outras; existem oportunidades para que todos nós tomemos a charrua da evolução sem olharmos para trás, crescendo sempre.

O que determinará a qualidade dos Espíritos que, pela lei das afinidades, serão impelidos a se afinizarem conosco nas práticas mediúnicas?

Raul – Compreendemos que todos nós renascemos com determinadas tarefas a realizar, e para esse entendimento, há aqueles que renascem com a tarefa da mediunidade. O chamamento da mediunidade na a hora correta mostra aquele que porta o compromisso ajustado. Normalmente, as entidades que deverão trabalhar, que deverão atuar no campo mediúnico, dirigindo as lides entre os companheiros da Terra, já vêm escaldos desde os seus contatos no mundo espiritual. Elas se colocam na postura de verdadeiros guardiões para que, em momento oportuno, o indivíduo se apresente diante do chamado. Há outros Espíritos que estão associados a essa programática reencarnatória e que se afiam com o encarnado fora do labor da mediunidade e, à semelhança de alguém que se transfira de uma casa para outra, de um bairro para outro, vai surgindo a vizinhança nova e vão mostrando que os Espíritos que se unem por afinidades, por sintonia de gosto com aqueles que são os médiuns.

O médium, desejoso que a sua vizinhança espiritual seja do melhor naipe, deverá preparar-se para ser também de bom teor a sua vida.

Como nos ensina Emmanuel deverá ligar-se ao que estão na faixa do Cristo. E, mesmo quando venham entidades enfermas, o médium estará servindo à enfermagem espiritual, da mesma forma que um enfermo num hospital de nossa comunidade, embora atenda a diversos doentes, vários pacientes, de múltiplas características, nem por isso assimilará as mazelas do doente. Um médico que trabalhe com diversas doenças contagiosas, nem por isso contrairá as moléstias de que trata. Então, esses médiuns que estão laborando com os diversificados tipos espirituais procurarão ajustar-se aos Espíritos Benfeitores, unir-se pela vivência, pela prática do amor e da caridade, em suas várias dimensões.

Entendemos com a Doutrina Espírita, que para nos ajustarmos aos Espíritos Nobres será necessário enquadrar nossa romagem, pensamentos e hábitos ao bem e ao trabalho da caridade.

Qual a diferença entre animismo e mistificação?

Raul – Encontramos na intimidade de "O Livro dos Médiuns", mais exatamente a partir do item 283 e outros, Allan Kardec discutindo e apresentando uma questão muito importante e muito grave, que é a circunstância em que o Espiritismo do próprio percipiente, do próprio médium, no estado de excitação de variada ordem, transmite a sua mensagem.

Nos processos de regressões, de múltiplas procedências, a alma do encarnado se expressa, chora suas angústias, deplora suas mágoas guardadas na intimidade, ou apresenta suas virtudes e conquistas, suas grandezas, também guardadas no íntimo. Esse fenômeno em que o próprio espírito do médium se expressa, com qualquer teor, nós o chamaremos de "anímico", conforme Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns".

E aqueles outros fenômenos através dos quais entidades espirituais se manifestam por meio de médiuns, e dizer ser personalidades que, verdadeiramente, não foram na Terra, esse será o nível que chamaremos de "mistificação" do espiritismo.

Allan kardec teve a oportunidade de estudar em "O Livro dos Médiuns", na parte em que se apresenta dissertação mediúnica, diversas mensagens, das quais ele, depois de te-las analisado, anota que jamais poderiam proceder de Vicente de Paulo, de Maria de Nazaré e de outros tantos Espíritos respeitados e considerados pela humanidade. É o caso em que certas entidades banais dão nomes de projeção respeitosa, restrita ou amplamente.

Mas, temos ainda um outro tipo de mistificação, que é a mistificação do indivíduo, do "médium", quando, por motivos diversos, não sendo portador de faculdades mediúnicas ou ainda que seja, mas não sendo dotado da capacidade de comunicar, de permitir a comunicação de tal e qual Espírito ele a forja, com interesses os mais estranhos. Aí encontramos a mistificação por parte do suposto médium.

É importante, porém, nos lembremos de que todas as nossas ações, como se reporta "O Livro dos Espíritos, são conduzidas pelos Espíritos; normalmente são eles que nos dirigem, conforme o item 459 da citada obra. Logo, quando se começa a fraudar, a mistificar por quaisquer interesses, no início é o próprio indivíduo com a sua mente doente, mas, a partir daí, passa a atrelar-se a entidades mistificadoras, submetido, então, à influência espiritual. A princípio, a criatura é mistificadora sem ser propriamente médium. Depois advém a" sociedade "de forças surgindo o engodo. No primeiro impulso era fruto do encarnado, depois os espíritos complementam".

Foi perguntado a Chico Xavier, e publicado no livro "A Terra e o Semeador", se alguma vez ele teria sido alvo de mistificação da parte de espírito. Ele disse que sim. E quando foi inquirido sobre qual a razão porque Emmanuel lhe permitira essa vivência de algum Espírito comunicar-se e dizer-se quem não era, ele afirmou que aquilo se destinava a que ele visse que não estava invulnerável à insuflação negativa. Com a interfer6encia de espíritos inferiores, que Jesus Cristo teve ensejo de dizer que, se necessário fosse, essas entidades, os falsos profetas, enganariam aos próprios eleitos, nos costumamos nos indagar: "E nós que ainda somos apenas candidatos?"

O endeusamento do médium constitui um perigo para a mediunidade? Por Quê?

Raul – evidentemente que tudo aquilo que constitui motivo de tropeço na estrada de qualquer criatura, naturalmente poderá leva-la à queda. Em se tratando de médium e de mediunidade, todo e qualquer endeusamento é plenamente dispensável, mesmo porque, entendemos que o médium não fala por si próprio. O que ele apresenta de positivo, de nobre, de engrandecedor, deve-se à assistência e à misericórdia dos Espíritos do Senhor, não havendo motivo, portanto, para que se vanglorie de uma virtude, de uma grandeza que ainda lhe não pertence.

Por outro lado, se o fenômeno ao qual ele serve de intermediário não constitui essa grandiosidade, se são fenômenos modestos, ou se houve algum equívoco ou alguma fragilidade nas colocações que alguma entidade apresente, também não é motivo, portanto para que se vanglorie de uma virtude, de uma grandeza que ainda lhe não pertence.

Por outro lado, se o fenômeno ao qual ele serve de intermediário não constitui essa grandiosidade, se são fenômenos modestos, ou se houve algum equívoco ou alguma fragilidade nas colocações que alguma entidade apresente, também não é motivo para que o médium se atormente, se entristeça, porque terá sido apenas o filtro. Necessita, sim, a partir de então, de ter o cuidado de estar cada dia mais vigilante, para que esse empobrecimento não se amplie, para que não seja co-participante dessa deficiência e para que ele, cada vez mais, se dê conta de que a vaidade poderá ser-lhe prejudicial. Por isso, qualquer endeusamento é desnecessário, é improfícuo. Isso não dispensa que os companheiros, que estejam lidando com o médium, o possam incentivar para que ele cresça, para que ele se adestre cada vez mais e melhor, para que estude, para que sirva, para que trabalhe.

Simpósio realizado em 1984 – Tema "A Mediunidade" – Ame –Bhte.



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