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Divaldo Franco


SIMPÓSIO REALIZADO EM BELO HORIZONTE, EM 1984, COM A PRESENÇA DE DIVALDO PEREIRA FRANCO E JOSÉ RAUL TEIXEIRA





AME – Qual a finalidade da Mediunidade na face da Terra?



Divaldo – A Mediunidade é, antes de tudo, uma oportunidade de servir, bênção de Deus, que faculta manter o contato com a vida espiritual. Graças ao intercâmbio podemos ter aqui, não apenas a certeza da sobrevivência da vida após a morte, mas também o equilíbrio para resgatarmos com proficiência os débitos adquiridos nas encarnações anteriores. É Graças à Mediunidade que o homem tem a antevisão do seu futuro espiritual, e, ao mesmo tempo, o relato daqueles que o precederam na viagem de volta a erraticidade, trazendo-lhe informes de segurança, diretrizes de equilíbrio e a oportunidade de refazer o caminho pelas lições que ele absorve do contacto mantido com os desencarnados.



Assim, a Mediunidade tem uma finalidade de alta importância, porque é graças a ela que o homem se conscientiza das suas responsabilidades de Espírito imortal. Conforme afirmava Paulo, se não houvesse a ressurreição do Cristo, para nos trazer a certeza da vida espiritual, de nada valeria a mensagem que Ele nos deu.



AME – Em mediunidade, o que seria sintonia, ressonância e vibrações compensadas?



Divaldo – A sintonia, como o próprio nome diz, é a identificação. Estamos sempre acompanhados daqueles que nos são afins. A emissão de uma onda encontra ressonância num campo vibratório equivalente. Aí temos a sintonia, como numa rádio que emite uma onda e é captda por um receptor na mesma faixa vibratória. A ressonância seria o efeito dessa sintonia, as vibrações decorrentes dessas identificações de natureza vibratória. A sintonia do Chico Xavier com o espírito Emmanuel dá essa ressonância maravilhosa que é a obra abençoada que o instrutor mandou a Terra. A ressonância seria o efeito que decorre do mecanismo de sintonia. E as vibrações compensadas são aquelas que oferecem, como o próprio nome coloca, a resposta dentro do padrão de reciprocidade.

Quando Chico sintoniza com Emmanuel recebe a compensação do benefício que decorre daquela onda provinda do Benfeitor, que lhe responde ao apelo através do bem-estar que lhe proporciona. Essa compensação pode ser positiva ou negativa. Se elaboramos idéias infelizes somos compensados pelas respostas das entidades afins, que se comprazem em nos utilizar na viciação toxicômona, alcoólica, tabagista ou no exagero em qualquer função ou hábito. Quando oramos a Cristo, oramos a Deus, recebemos imediatamente a compensação do bem-estar que decorre de estarmos com o Alto.



AME – Se o médium interrompe sua tarefa mediúnica pode isto lhe causar danos? Por que?



Divaldo – O êxito de qualquer atividade depende do exercício da aptidão de que se é objeto. A Mediunidade, segundo Allan Kardec, é uma certa predisposição orgânica de que as pessoas são investidas. A faculdade mediúnica é do espírito. A mediunidade é-lhe uma resposta celular do organismo. Apresenta-se como sendo uma aptidão. Se a prática não é convenientemente educada, canalizada para a finalidade a que se destina, os resultados não são, naturalmente, os desejados. A pessoa não conduzindo corretamente as suas forças mediúnicas, não logra os objetivos que persegue. Abandonando a tarefa a meio termo, é natural que a mesma lhe traga os efeitos que são conseqüentes do desprezo a que está relegada. Qualquer instrumento ao abandono é vítima da ferrugem ou do desajuste. Emmanuel, através da abençoada mediunidade de Chico Xavier, afirmou com lógica: "Quanto mais trabalha a enxada, mais a lâmina se aprimora. A enxada relegada ao dono vai carcomida pela ferrugem".

Quando educamos a mediunidade, ampliando a nossa percepção parafísica, desatrelamos faculdades que jaziam embrionárias. Se, de um momento para outro, mudamos a direção que seria de esperar-se, é óbvio que a mediunidade não desaparece e o intercâmbio que se dá muda de condutor. O individuo continua médium, mas, já que ele não dirige a faculdade para as finalidades nobres, vai conduzido pelas Entidade invigilantes, no rumo do desequilíbrio.

Daí dizer-se, em linguagem popular, que a mediunidade abandonada traz muitos danos àquele que lhe é portador. Isto ocorre porque o individuo muda de mãos. Enquanto está no exercício correto de suas funções, encontra-se amparo de Entidades responsáveis. Na hora que inclina a mente e o comportamento para outras atividades transfere-se de sintonia, aqueles com os quais vai manter contato psíquico são, invariavelmente, de teor vibratório inferior, produzindo-lhe danos.

Também seria o caso de perguntarmos ao pianista que acontece com aquele que deixa de exercitar a arte a que se dedica no campo da música. Ele dirá que perde o controle motor, que as articulações perderam a flexibilidade, a concentração desapareceu e ele vai, naturalmente prejudicado por uma série de temores que o assaltam, impedindo-lhe o sucesso. A mediunidade é um compromisso para toda a vida e não apenas para toda uma reencarnação. Porque, abandonando os despojos materiais, o médium prossegue exercitando a sua percepção parafísica em estágios mais avançados e procurando chegar às faixas superiores da vida.



AME – O Médium pode trocar a tarefa mediúnica por outra atividade doutrinária?



Divaldo – A tarefa mediúnica será presente na vida do instrumento onde quer que ele se localize. É óbvio que a tarefa mediúnica foi por ele elegida e não seria lícito que a abandonasse no meio do caminho num mecanismo de fuga à responsabilidade, para realização de outra que certamente não levará adiante. O indivíduo, por exercer a mediunidade, pode e deve assumir as outras tarefas que dizem respeito ao labor da Casa Espírita, mesmo porque a mediunidade não irá tomar-lhe tempo integral, de modo que o impeça de vivenciar a programática da Doutrina Espírita em outros níveis.

Trechos do simpósio realizado pela AME-BH e o C.E. CÉLIA XAVIER, em 16 e 17 de Junho de 984, que teve com tema "A MEDIUNIDADE".




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